Conceitos importantes a considerar no controle de moscas
Uma correta estratégia de controle de moscas deve sempre considerar a relação entre os fatores ambientais (ou abióticos) e as características próprias da espécie praga...
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Uma correta estratégia de controle de moscas deve sempre considerar a relação intrínseca entre os fatores ambientais (ou abióticos) e as características próprias da espécie-praga, uma vez que tais fatores são determinantes diretos da intensidade e da distribuição espacial da praga. Essa premissa, que parece ser bastante simples e evidente, é muitas vezes omitida (ou ao menos pouco considerada) no momento de realizar as inspeções e o posterior diagnóstico. Em nossa experiência, este ponto forma parte do eixo central da estratégia de controle, devendo ser conduzido da forma mais exaustiva para evitar programas de controle falhos ou de custo desnecessariamente elevado. Um substrato corresponde a matéria orgânica, que são restos de seres vivos em processo variável de decomposição. Esse processo ocorre tanto por fatores físicos quanto químicos. Obviamente, a condição é favorecida quando a temperatura ambiental (não apenas a do substrato) é mais alta, pois, estando o ambiente mais aquecido, o substrato é capaz de manter uma temperatura mais constante, sobretudo na superfície, situação que é indispensável no momento da postura dos ovos (oviposição) e para a emergência da larva de primeiro estádio (larva I). Do mesmo modo, uma temperatura elevada é capaz de estimular a postura de ovos, a sobrevivência da maior parte dos 600 ovos depositados pela fêmea, o consumo de alimentos por parte de adultos e larvas, bem como estimular a atividade de voo e a probabilidade de encontro e cópula. Como se observa, todos são fatores que potencializam o vigor de larvas e adultos, favorecem a reprodução, encurtam o ciclo e, em consequência, expressam o melhor potencial biológico da espécie. A temperatura ideal para o ciclo de moscas adultas oscila entre 23 °C e 26 °C, faixa que determina ciclos ontogenéticos completos entre 12 e 14 dias, registrando-se eclosões de ovos em apenas 14 horas ou apenas 4 a 5 dias de pupação. Um segundo elemento presente no substrato é a umidade. Diversos autores apontam que substratos com umidade que oscila entre 60% e 90% são os que determinam a área onde as moscas depositarão seus ovos (a zona de oviposição). Esse dado técnico deve ser mantido em mente para intervenções que estimulem a dessecação do substrato, restrinjam seu volume e distribuição (das zonas úmidas ideais) ou, em caso de controles químicos, indiquem os pontos críticos nos quais se deve aplicar o larvicida. Um substrato com umidade adequada determina também a viabilidade (ou mortalidade dos ovos) e a sobrevivência do primeiro estádio larval. Da mesma forma, um substrato dentro dessa faixa de umidade beneficiará a vitalidade e a mobilidade larval, definindo uma adequada capacidade alimentar, maior sobrevivência larval e espécimes adultos mais vigorosos. Valores de umidade inferiores a 40% ou superiores a 95% não são viáveis, sendo descartados para a postura de ovos. Um terceiro elemento a considerar é a qualidade nutricional do substrato. Sua composição proteica, lipídica e de açúcares determinará o tamanho corporal e a vitalidade das moscas. A qualidade do substrato está obviamente ligada à matéria orgânica que lhe dá origem, definindo o aporte nutricional que receberão os três estádios larvais e a alimentação dos adultos. Um bom substrato favorecerá, em consequência, a plena manifestação de todos os parâmetros biológicos requeridos para uma população bem-sucedida. Um último elemento abiótico de enorme relevância na densidade de moscas de um ambiente são os odores. Como se sabe, a concentração de odores voláteis em um ambiente determinado atrai contingentes expressivos de moscas, o que, somado a um padrão comportamental de agregação gregária (as moscas reúnem-se em grupos no mesmo local), facilita a cópula e, consequentemente, o aumento acelerado da população. No momento de realizar uma inspeção em um determinado ambiente, essas quatro variáveis serão decisivas para o estabelecimento e a futura carga de uma população de moscas. É sobre essas variáveis ambientais que o profissional de controle de pragas deve intervir e atuar, buscando restringir ao máximo a oferta de elementos ecológicos para atingir o menor potencial biológico possível. As recomendações e a gestão sobre os manejos ambientais constituem, com clareza, um dos principais gargalos no controle. Muitas vezes o controle de temperatura ou de umidade, para citar alguns, é muito difícil de executar, ou é oneroso, ou depende da empresa contratante dos serviços, que nem sempre se encontra disposta a implantar tais medidas. Todavia, como empresa de controle de pragas, é nossa estrita obrigação determinar os pontos críticos no ambiente, estruturar um cronograma de tarefas e indicar com transparência as responsabilidades de cada uma das partes envolvidas nesse manejo. Os parâmetros de aceitação dependerão do ambiente específico, podendo-se definir zonas limpas, zonas intermediárias e zonas sujas, onde haverá, evidentemente, diferentes parâmetros e níveis de tolerância. Claramente, uma sólida coordenação e a execução rigorosa dos procedimentos de limpeza, manutenção estrutural, barreiras físicas, desobstrução de canaletas e rede de drenagem (hidrossanitária) determinarão menores ofertas ecológicas e populações estritamente controladas quanto ao seu porte e dispersão espacial, o que, aliado ao correto emprego de defensivos químicos, garantirá um controle de pleno êxito.
