Entrevista com o diretor-geral da ANECPLA Espanha
Do seu ponto de vista, qual é a importância do setor de Manejo Integrado de Pragas Urbanas (MIPU) na sociedade? O manejo de pragas urbanas na sociedade atual é de importância vital.
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1. Do seu ponto de vista, qual é a importância do setor de Manejo Integrado de Pragas Urbanas (MIPU) na sociedade? O manejo de pragas urbanas na sociedade atual é de importância vital, e nunca melhor dito, pois está intimamente ligado à saúde pública e tem uma repercussão direta sobre a vida de todos os cidadãos, como diz um dos lemas da ANECPLA, “somos o primeiro filtro da sua qualidade de vida”. Além de importantes repercussões psicológicas e econômicas decorrentes da presença de pragas ou organismos nocivos em geral, temos um papel fundamental na gestão de organismos nocivos que podem ser vetores de doenças, o que faz com que nosso trabalho seja de importância vital para a saúde pública e, portanto, para a de todos os cidadãos. 2. A partir da sua perspectiva, como deve se desenvolver o manejo integrado de pragas urbanas em seu país? Até agora, a atividade do setor vinha sendo regulamentada com base no tipo de biocida utilizado para executar o trabalho; essa é uma concepção regulatória que ficou obsoleta diante da realidade do setor, precisamos ir um passo além. A realidade que se apresenta atualmente exige que a normativa faça uma mudança de paradigma e comece a regulamentar em função da atividade, e não de uma das ferramentas que podemos utilizar para realizá-la. Levando em conta a regulamentação de biocidas, que restringe cada vez mais o número de biocidas e a sua eficácia, e considerando a norma que regulamenta a gestão integrada de pragas (UNE EN 16636), o biocida deve ser a última ferramenta utilizada na gestão de organismos nocivos, não sendo, portanto, adequado que o setor de manejo integrado de pragas seja regulamentado com base nisso. Na Espanha, o controle de pragas, ou gestão de organismos nocivos como denominamos aqui, é uma profissão regulamentada, com uma formação bastante ampla e completa, talvez a mais completa na atualidade. Se continuarmos regulamentando apenas com foco nos biocidas, quando alguém fizer a gestão de organismos nocivos sem utilizar essa ferramenta, poderia realizá-la sem qualquer conhecimento sobre a espécie que está tentando controlar ou sobre as consequências que o tratamento aplicado pode acarretar; por isso acreditamos que a regulamentação deve ocorrer em função da atividade. Sempre que uma empresa atuar na gestão de organismos nocivos, com a repercussão que isso tem para a Saúde Pública, ela deve possuir a competência técnica necessária para assumir o trabalho com todas as garantias. Caso contrário, estaríamos incentivando o exercício ilegal no setor, com as consequências que isso pode trazer para a Saúde Pública, como já comentamos. E todo o esforço realizado para profissionalizar o setor e combater o exercício ilegal não teria servido para nada. 3. Qual papel a associação deve desempenhar no desenvolvimento do setor de manejo integrado de pragas urbanas em seu país? A associação deve estar envolvida, como representante do setor e conhecedora de sua realidade, em todo o desenvolvimento normativo associado à atividade, tanto no âmbito da formação profissional quanto empresarial e regulatório. Além disso, deve defender os direitos do setor, conquistando posicionamento e visibilidade sobre a importância do nosso trabalho, mantendo seus associados sempre informados e capacitados. O motor que impulsiona um setor é a associação que o representa, especialmente considerando que o mercado de controle de pragas costuma ser composto por empresas muito pequenas, sem grande visibilidade própria, sendo indispensável uma associação forte que as represente, dê visibilidade e as leve a patamares que de outra forma não alcançariam. 4. Como você enxerga o futuro do setor em nosso país? O futuro do setor, levando em conta o que comentamos anteriormente, passa por nos tornarmos consultores de Sanidade Ambiental, com nossas empresas valorizando todo o Know How que detêm. Atualmente, não realizamos apenas tratamentos, seguindo a filosofia da Gestão Integrada de Pragas; implementamos muito mais medidas além da aplicação direta, prestando consultoria para que as empresas desenvolvam suas atividades de forma mais sustentável possível, minimizando a presença de organismos nocivos. Ademais, somos um setor que, pela nossa atuação, deve estar vinculado à Saúde, e não ao setor de serviços ou limpeza, já que, conforme destacamos, nosso trabalho repercute diretamente na Saúde Pública. Precisamos alcançar a regulamentação pela nossa atividade principal, a gestão de organismos nocivos, independentemente da ferramenta que venhamos a utilizar, especialmente agora, quando ganham força abordagens como o conceito ONE HEALTH (Saúde Única). Este é o momento ideal para posicionar nossa atividade e torná-la visível; como sempre afirmo, somos pouco notados porque fazemos bem o nosso trabalho; a partir do instante em que ele deixa de ser feito, os alarmes soam rapidamente, porque somos essenciais. 5. Qual deve ser o papel da iniciativa privada, da academia e do setor público no manejo integrado de pragas urbanas? Da mesma forma que no conceito ONE HEALTH se fala da integração das três saúdes — humana, animal e ambiental —, neste caso, estes três atores devem atuar coordenados para alcançar bons resultados. A academia deve fornecer formações adequadas para a profissionalização do setor, e estas devem ser regulamentadas e obrigatórias pela legislação pública; tanto as normas educacionais quanto as regulamentações da atividade devem considerar a realidade do setor privado, que é quem realmente vivencia o dia a dia das operações. Por isso é fundamental contarmos com uma Associação sólida e prestigiada que nos represente e leve à academia e ao setor público as nossas necessidades, resultando em um benefício mútuo para toda a sociedade. JORGE GALVÁN RODRÍGUEZ DIRETOR-GERAL DA ANECPLA (ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE EMPRESAS DE SANIDADE AMBIENTAL) – ESPANHA
