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Existem os insetos benéficos?

O efeito da urbanização e a criação de condomínios fechados promovem que as populações se aproximem cada vez mais dos locais onde se assentam os sistemas de produção agropecuária, trazendo consigo uma maior quantidade de insetos.

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Insetos benéficos e controle biológico

O efeito da urbanização e a criação de condomínios fechados e loteamentos residenciais promovem que as populações urbanas se instalem cada vez mais próximas das áreas onde operam os sistemas de produção agropecuária. Essa convivência geográfica traz associada uma proliferação de insetos incômodos e potenciais vetores de enfermidades, com destaque para dípteros sinantrópicos que compõem a fauna comum dessas imediações. Os estabelecimentos de produção Faculdade de Cs. Agrárias Univ. Nac. de Lomas de Zamora.

agropecuária, por sua proximidade com a malha urbana, enfrentam dificuldades crescentes na gestão de seus efluentes e resíduos orgânicos, favorecendo a multiplicação em larga escala de pragas como as moscas, uma vez que as dejeções animais constituem o substrato ideal para abrigo, alimentação e reprodução desses insetos em todo o seu ciclo biológico. Dentre as espécies problemáticas figuram a mosca-doméstica, mosca-dos-estábulos e afins, cujo ciclo se completa nos estercos acumulados. A decomposição natural da matéria fecal é um processo gradual no qual atuam

a dessecação provocada pela radiação solar e pelo vento, a umidade das chuvas, a degradação promovida por bactérias e fungos saprófitos e o consumo voraz por larvas de dípteros e térmitas. A intervenção direta de organismos benéficos como os besouros coprófagos (escaravelhos), que fragmentam, revolvem e enterram o esterco, acelera substancialmente essa degradação ao mesmo tempo em que enriquece e areja o solo agrícola. Os besouros esterqueiros utilizam os excrementos tanto para nutrição própria quanto para a procriação, construindo câmaras subterrâneas de argila e esterco que sepultam a quase um metro de profundidade, tornando a matéria orgânica inacessível e inóspita para a postura e proliferação das moscas. Determinadas espécies cuidam zelosamente dessas câmaras nupciais até a emergência dos adultos; por apresentarem baixa taxa reprodutiva (apenas um ou dois ovos por postura), são extremamente vulneráveis a distúrbios antropogênicos e à contaminação química do meio. Sem a valiosa atividade desses besouros, o acúmulo de esterco atingiria níveis insustentáveis nos ecossistemas produtivos, sendo fundamental aprender a identificá-los e preservá-los nas propriedades. A coloração desses insetos varia do preto opaco a reflexos verdes e acobreados metálicos brilhantes; seu primeiro par de pernas é fossorial, adaptado para cavar e revolver a terra, complementado por projeções clipeais na cabeça que operam como pás para abrir túneis no solo, onde depositam as massas fecais que alimentarão a si e à sua prole. Estima-se que besouros coprófagos enterrem em média 1,5 tonelada de esterco por hectare ao ano. Levantamentos na província de Buenos Aires comprovaram expressiva densidade de besouros com alta capacidade de desintegração de fezes, registrando-se espécies como Gromphas lacordairei, Ontherus sulcator e Onthophagus hirculus, entre outras. Muito embora a atividade biorreguladora de todos esses escarabeídeos seja vantajosa, o porte superior de G. lacordairei destaca-se pela alta eficiência na quantidade de esterco enterrado por indivíduo na construção de ninhos. Em densidades de 10 a 20 indivíduos, a massa fecal é inteiramente enterrada antes

MACHO

do término do período larval necessário ao ciclo biológico dos dípteros, suprimindo radicalmente as oportunidades de reprodução e emergência de novas moscas.

Uma das espécies mais emblemáticas da região é Gromphas lacordairei: o volume de matéria fecal enterrado por um exemplar dessa espécie

situa-se em torno de 8 a 10 g ao dia (Cabrera Walsh G. et al., 1997), o que viabiliza o soterramento integral da massa em cerca de 7 dias com uma população de 10 a 20 indivíduos. Esse curto intervalo impede que os dípteros completem seu ciclo juvenil. A incorporação do esterco ao solo resulta do trabalho cooperativo de machos e fêmeas, que soterram quantidades substanciais de material para garantir a sobrevivência das larvas e a nutrição adulta.

FÊMEA

A supressão das moscas não se restringe ao consumo direto da matéria fecal pelos besouros: a própria movimentação durante o enterramento promove o arejamento contínuo e a rápida desidratação das fezes, inviabilizando o desenvolvimento embrionário dos dípteros. Não é imprescindível que os escaravelhos devorem todo o material; o simples fato de escavarem túneis na massa provoca a formação de uma crosta externa ressequida sem umidade interna favorável à eclosão e crescimento das larvas. É fundamental, destarte, valorizar e proteger esses coleópteros e toda a fauna coprófaga associada como peças-chave no Manejo Integrado de Pragas (MIP), reconhecendo seu papel como controladores biológicos naturais de primeira linha. Identificar suas galerias no campo é essencial para evitar gradagens desnecessárias e pulverizações indiscriminadas de agroquímicos que comprometam essas populações benéficas.

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