Importância das inspeções no manejo integrado de roedores
O conceito de Manejo Integrado de Roedores envolve vários passos ou etapas que devem ser cumpridos para assegurar um controle adequado e ter a certeza de que um bom trabalho está sendo realizado a nível de campo.
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O conceito de Manejo Integrado de Roedores envolve vários passos ou etapas cruciais que devem ser rigorosamente cumpridos para poder assegurar um controle adequado e ter a plena certeza de que se está realizando um trabalho de alto padrão técnico a nível de campo. Não é possível estabelecer um programa eficaz de controle de pragas se não for realizada uma inspeção exaustiva, minuciosa e com profunda consciência profissional. É fundamental recordar que uma inspeção adequada representa tão somente o primeiro passo do programa de Manejo Integrado de Roedores, porém denota uma importância gigantesca, pois é extremamente provável que, ao não realizá-la corretamente, todas as etapas restantes venham a ser seriamente prejudicadas por informações parciais, distorcidas ou pouco verídicas. Sequencialmente à inspeção, as etapas seguintes que compõem o programa estruturado são: Exclusão – Iscagem e Trampeamento – Redução e Controle – Monitoramento e Manutenção. Nesta oportunidade nos concentraremos especificamente nas inspeções, abordando os seus aspectos basilares e delimitando também oportunidades estratégicas a serem desenvolvidas para gerar dados consistentes e confiáveis. Do ponto de vista estritamente prático, uma inspeção inicial apropriada proporcionará benefícios palpáveis nos seguintes aspectos vitais: 1. Atendimento e serviço ao cliente: é de suprema importância em nossa missão como Controladores de Pragas poder construir uma sólida relação de confiança e transmitir todo o domínio do conhecimento técnico ao nosso cliente. Lembremo-nos de que a primeira impressão é muitas vezes determinante e conclusiva, razão pela qual devemos assegurar que o cliente se sinta plenamente confortável com a nossa visita profissional e consiga esclarecer todas as suas dúvidas e questionamentos de maneira direta e transparente. 2. Eliminação do problema concreto: é imprescindível esclarecer que o nosso trabalho consistirá em eliminar o problema, e não a espécie biológica como um todo, uma vez que os roedores continuarão sempre presentes na natureza ao redor. Muitas vezes imaginamos erroneamente que eliminamos a praga de modo definitivo, o que não condiz com a realidade ecológica, pois nas imediações das instalações os roedores continuam se reproduzindo para tentar retornar e ocasionar novos prejuízos de natureza sanitária e estrutural. Em outras palavras: o problema em si nós certamente podemos e devemos controlar, e para essa finalidade primordial devem ser empregadas todas as ferramentas técnicas disponíveis, sejam elas tóxicas ou não tóxicas. 3. Prevenção de problemas futuros: ao gerar as informações verídicas e precisas necessárias durante a primeira vistoria diagnóstica, teremos plenas condições de indicar os passos a serem seguidos para prevenir contratempos de maior magnitude a curto e médio prazo. Ao fim e ao cabo, o que se busca incessantemente é que a resolução do problema sanitário seja sustentável e perene ao longo do tempo. 4. Rentabilidade global: não se pode jamais perder de vista que o escopo basilar do nosso ofício é impedir que os roedores continuem gerando pesadas perdas decorrentes de contaminações de insumos, danos patrimoniais nas estruturas prediais e riscos graves de transmissão de doenças à coletividade. Se conseguirmos demonstrar ao nosso cliente resultados mensuráveis e objetivos na sua própria rentabilidade (diretamente atrelados à redução drástica da densidade populacional dos roedores), poderemos ter absoluta certeza de que estamos desempenhando o nosso serviço com excelência técnica. Paralelamente, isso fará com que o contratante permaneça inteiramente satisfeito, e para a nossa empresa Controladora de Pragas isso também gerará sólida rentabilidade e a oportunidade de expansão contínua com essa importante conta comercial. Fazendo referência aos instrumentos e ferramentas indispensáveis para a condução de uma inspeção adequada, detalham-se a seguir alguns dos itens mais utilizados no cotidiano operacional: – Lanterna potente de alta intensidade luminosa – Luz Negra / Lâmpada UV para rastreamento de fluorescência – Toalhas e panos higiênicos – Óculos de proteção ocular – Respirador / máscara com filtros adequados – Luvas de proteção física e biológica – Telefone celular / câmera fotográfica de alta resolução – Régua ou fita métrica – Comunicação aberta e constante com o seu cliente / responsável pela conta. Particularmente, sempre considerei que o diálogo transparente com o nosso cliente pode vir a ser uma ferramenta de trabalho incomparável, visto que um cliente bem informado será normalmente um cliente plenamente satisfeito com a entrega do serviço. A comunicação direta e respeitosa é vital durante todo o percurso da inspeção, pois eventualmente pode nos proporcionar a oportunidade de solucionar alguns problemas de imediato, ou, em sua falta, integrá-los de forma coordenada ao apresentarmos a proposta do nosso programa de manejo integrado de roedores. OBJETIVOS CENTRAIS DAS INSPEÇÕES: São inúmeros os objetivos operacionais que podem despontar no decorrer de uma vistoria técnica, mas, sob a minha perspectiva profissional, sintetizo-os em quatro eixos prioritários: 1. Dedicar todo o tempo que for estritamente necessário: não é possível executar uma vistoria primorosa se não contarmos com a autorização prévia para atuar com a necessária liberdade e profundidade em nosso trabalho de campo. Essa condição adquire uma preponderância ainda maior durante uma inspeção inicial, uma vez que não sabemos de antemão a dimensão dos desafios que iremos enfrentar, sendo mandatório dispor de tempo suficiente para examinar tanto o nível do solo e dos pisos quanto a altura dos tetos, forros e telhados, as imediações externas das edificações e, quando possível, averiguar o que se passa no primeiro perímetro de controle limítrofe com terrenos vizinhos. Esse aspecto de valor incalculável precisa ser devidamente acordado e alinhado antes da realização da visita técnica. 2. Identificar fatores determinantes que auxiliem na resolução definitiva do problema: com frequência a constatação desses fatores pode parecer relativamente simples e evidente, porém nem todos os cenários operacionais são idênticos, deparando-nos frequentemente com situações altamente complexas em que se exigem maior experiência de campo e sensibilidade técnica apurada no momento de coletar as informações requeridas para a estruturação do programa. 3. Conscientizar e orientar o cliente durante a vistoria: este é um aspecto basilar que nem todos os controladores de pragas mantêm presente em sua rotina, mas considero de extrema relevância, pois pode representar o divisor de águas entre o programa alcançar o sucesso desejado ou, pelo contrário, as recomendações estruturais não serem seguidas pelo contratante. Por vezes podemos presumir equivocadamente que essa orientação é dispensável ou trabalhosa, mas posso assegurar que, ao implementá-la com dedicação, vocês estarão dando um passo decisivo à frente na execução do plano e, consequentemente, no controle definitivo da infestação na conta. 4. Estabelecer necessidades transparentes e fixar metas rigorosamente realistas: impõe-se dialogar francamente com o cliente para compreender a fundo as suas expectativas e, em contrapartida, é nosso dever não fomentar falsas ilusões. Não podemos, por exemplo, prometer ao cliente que erradicaremos uma infestação de roedores no prazo de uma semana, visto que seria imprudente assumir tal compromisso biológico. Existem circunstâncias em que o controle é obtido com grande rapidez, mas NEM TODOS os casos são iguais. Devemos recordar sempre que os roedores possuem extraordinária capacidade adaptativa perante as mais diversas conjunturas, demandando muitas vezes a reformulação de aspectos do programa inicialmente traçado. FATORES CRÍTICOS A IDENTIFICAR EM UMA INSPEÇÃO: São múltiplas as evidências biológicas e físicas que podemos encontrar durante uma inspeção detalhada, mas nesta oportunidade focaremos nos indícios principais e mais frequentes: Marcas de atrito (sebo): o sebo cutâneo nada mais é do que a combinação da secreção lipídica da derme do roedor com as partículas de poeira e sujidade impregnadas em sua pelagem. O contato contínuo do corpo do animal resulta em marcas escuras características ao longo de suas rotas costumeiras de passagem, configurando um elemento indispensável a rastrear. Habitualmente tais manchas podem ser visualizadas rentes a tubulações, fiações, cantos de paredes e passagens estruturais. Sinais de roedura: os roedores possuem o hábito biológico inegociável de roer praticamente tudo o que encontram pelo caminho, uma vez que seus dentes incisivos crescem a uma taxa média impressionante de 2,27 cm ao mês (em ratazanas), necessitando de desgaste mecânico constante. Cumpre salientar que as ratas conseguem perfurar e roer materiais diversos como plásticos rígidos, tijolos de alvenaria, tubos de cobre, madeira, argamassa de cimento, chumbo, alumínio, placas de amianto e até mesmo estruturas de aço macio, sendo provável a identificação de tais danos na vistoria. Igualmente importante é destacar que os roedores costumam roer cabos elétricos energizados com enorme frequência, gerando riscos gravíssimos de curto-circuito e incêndios prediais. Excrementos: as fezes que identificamos nas inspeções constituem valiosos bioindicadores de múltiplos aspectos vitais, como a direção do trânsito dos roedores, o tamanho aproximado da colônia ou colônias, as espécies envolvidas no foco e se os animais estão em plena atividade reprodutiva. Em linhas gerais, podemos distinguir os dejetos dos roedores sinantrópicos por atributos morfológicos marcantes: a Ratazana (Rattus norvegicus) produz fezes maiores e de pontas arredondadas; o Rato-de-telhado (Rattus rattus) apresenta fezes mais esguias, alongadas e pontiagudas; enquanto o Camundongo Doméstico (Mus musculus) produz excrementos diminutos e finos. Vale notar que em determinadas ocorrências verifica-se a convivência de duas ou mais espécies no mesmo local, gerando uma sobreposição de diferentes tipos fecais. Manchas de urina: as marcas de urina fornecem comprovação inequívoca das trilhas habituais de deslocamento, facilmente reconhecíveis pelo forte odor amoniacal característico nos chamados “pontos quentes” e pela fluorescência típica sob luz negra UV. A contaminação por urina — a exemplo das fezes — constitui um severo foco de transmissão de agentes patogênicos, lembrando que roedores veiculam mais de 50 enfermidades infectocontagiosas graves ao ser humano. Essa contaminação é especialmente crítica ao lembrarmos que um único camundongo doméstico pode expelir até 5,6 ml de urina por dia distribuídos em microgotas ao longo de inúmeros pontos, disseminando amplamente os riscos sanitários. Em suma, a inspeção inicial é uma etapa vital que deve ser tratada com toda a seriedade e rigor técnico. O escopo primordial será sempre suprimir a infestação de roedores, meta inalcançável se não for respaldada por uma inspeção impecável, geradora das informações indispensáveis para a elaboração do programa de Manejo Integrado de Roedores. Uma recomendação prática é seguir os passos pormenorizados neste artigo e trabalhar conscientemente na identificação de todos os fatores que abram caminho para o sucesso do controle. Em conclusão, os roedores constituem uma praga dotada de admirável capacidade de adaptação e evolução contínua; cabe a nós, Controladores Profissionais de Pragas, atuar como agentes transformadores e dinâmicos na entrega das nossas soluções, lembrando sempre que os roedores consomem o que a atividade humana descarta, sendo primordial conscientizar nossos clientes para que todos caminhem na mesma sintonia sanitária.
