Edição 18 · 22 de maio de 2026

Picadas e mordidas de artrópodes: diferentes reações no ser humano

Os artrópodes constituem o grupo animal mais diversificado do planeta e incluem insetos, ácaros, aracnídeos e miriápodes, entre outros.

Resumo técnico

Foco
Os artrópodes constituem o grupo animal mais diversificado do planeta e incluem insetos, ácaros, aracnídeos e miriápodes, entre outros.
Abordagem
Reúne critérios técnicos vinculados à Edição 18, artrópodes e pragas.
Aplicação
Útil para profissionais que necessitam de contexto, diagnóstico e decisões operacionais na edição 18.
Artigo sobre reações humanas a picadas e mordidas de artrópodes

Os artrópodes constituem o grupo animal mais diversificado do planeta e incluem insetos, ácaros, aracnídeos e miriápodes, entre outros. Muitos deles interagem diretamente com os seres humanos, seja como parasitas, vetores de doenças ou simplesmente como organismos que se defendem contra uma ameaça. Neste contexto, é comum falar indistintamente de “picadas” e “mordidas”, embora do ponto de vista biológico existam diferenças claras entre os dois mecanismos.

Em termos gerais, a picada envolve a introdução de um aparelho especializado capaz de perfurar a pele e inocular substâncias bioativas, enquanto a mordida é produzida por aparelhos bucais que rasgam ou cortam tecidos, geralmente sem injeção ativa de fluidos. As mordidas podem exercer funções específicas de alimentação ou defesa. Em insetos hematófagos, a picada geralmente está associada ao consumo de sangue.

Para isso, esses organismos possuem estiletes (mosquitos) ou quelíceras modificadas (carrapatos) que perfuram a pele e introduzem saliva, que contém anticoagulantes, vasodilatadores e anestésicos que facilitam a alimentação. Entre os insetos picadores destacam-se os mosquitos Aedes spp., Anopheles spp., Culex spp., etc., o percevejo Cimex lectularius, as pulgas e suas diferentes espécies, os piolhos da ordem Pthiraptera, subordem Anoplura, vinchucas (Triatominae) e muitos outros. Nestes casos, o aparelho bucal atua como uma estrutura pontiaguda que acessa diretamente os vasos sanguíneos, por isso são exemplos clássicos de insetos solenófagos, pois inserem seus estiletes diretamente nos capilares. Os carrapatos não roem nem mordem a pele; Possuem estruturas chamadas quelíceras adaptadas para perfurar e fixar o ácaro ao tecido epitelial.

“O APARELHO MOUTAL ATUA COMO UMA ESTRUTURA AFIADA QUE ACESSA DIRETAMENTE OS VASOS SANGUÍNEOS.”

Essas peças especializadas são chamadas de hipóstomos e se assemelham a uma flecha indiana com o centro escavado para sucção. Por esse motivo, é muito difícil separar um carrapato quando ele está preso e se alimentando. A âncora é tão robusta que ao ser puxada o carrapato pode se desprender, deixando essas estruturas na pele e dando origem à entrada de microrganismos patogênicos. O ácaro do gênero Trombicula ou Neotrombicula, também conhecido como percevejo vermelho ou ácaro da colheita, alimenta-se de tecidos previamente liquefeitos a partir da inoculação de saliva com alto teor enzimático que realizam com suas quelíceras. Este minúsculo artrópode geralmente ataca principalmente na primavera, intimamente associado a atividades na grama; Aloja-se em áreas de pele fina e é onde costuma desencadear reações cutâneas complicadas devido à coceira associada à coceira ou coceira que gera. Outros insetos hematófagos, como mutucas, simulídeos (moscas pretas ou mosquitos) ou flebotomíneos, são classificados no grupo telmófago. São suas mordidas que permitem o fluxo do sangue e, uma vez acumuladas em pequenas “poças”, podem absorvê-lo. Eles não mordem os vasos diretamente, mas sim a pele, gerando um pequeno ferimento. Durante esse processo, o inseto libera saliva rica em proteínas anticoagulantes e imunogênicas. Esse tipo de alimentação torna o processo muito mais doloroso para o hospedeiro e pode produzir lesões mais evidentes e até processos infecciosos.

“ESTE TIPO DE ALIMENTAÇÃO TORNA UM PROCESSO MUITO MAIS DOLOROSO PARA O HOSPEDEIRO E PODE PRODUZIR LESÕES MAIS EVIDENTES E ATÉ PROCESSOS INFECCIOSOS.”

No caso dos aracnídeos, como aranhas e escorpiões, o ferrão tem principalmente uma função defensiva ou predatória. Essas espécies inoculam venenos por meio de quelíceras ou ferrões, destinados a imobilizar presas ou deter potenciais agressores. Nesse caso, a picada de qualquer organismo que não seja uma presa pode ser um mecanismo de defesa e até mesmo acidental. Esta última é geralmente a interação mais comum entre aranhas e escorpiões com humanos. Existem insetos que também picam, neste caso como mecanismo puramente defensivo, como as abelhas, as vespas, os zangões e algumas formigas. O ferrão, parte ativa que inocula o veneno, pode ou não ser retrátil. O ferrão das abelhas não é retrátil, permite que o inseto pique apenas uma vez e, perdendo parte do trato digestivo junto com o ferrão e as glândulas venenosas, morrerá. Se o ferrão for retrátil, como no caso de vespas, abelhas e algumas formigas, os insetos podem picar repetidamente. Em relação às formigas, Solenopsis spp. A formiga de fogo é a espécie mais comum associada a reações cutâneas em pessoas que passaram algum tempo deitadas ou sentadas na grama. São formigas extremamente agressivas quando suas trajetórias de movimento sofrem interferência ou seus ninhos são perturbados. As escolopendras, dentro do grupo das centopéias, possuem estruturas como frípulas atrás das mandíbulas que lhes permitem inocular veneno. Assim como outros artrópodes, são substâncias que raramente podem desencadear processos graves, mas são picadas muito dolorosas.

As reações alérgicas e a resposta do corpo a essas picadas variam significativamente entre as pessoas. Estas manifestações clínicas não dependem apenas do artrópode, mas principalmente da resposta imunológica do ser humano. As reações devem-se, na maioria dos casos, à hipersensibilidade às proteínas presentes na saliva ou ao veneno inoculado. Estas substâncias podem desencadear reações locais leves, como vermelhidão, edema e prurido, até lesões epiteliais graves, bolhas, necrose ou reações sistêmicas. Em indivíduos sensibilizados, pode ocorrer uma reação alérgica generalizada e até mesmo anafilaxia, uma condição potencialmente fatal. É importante observar que cada organismo reage de maneira diferente. Há pessoas nas quais as mordidas podem passar praticamente despercebidas, enquanto outras desenvolvem respostas intensas a exposições mínimas. Mesmo o mesmo indivíduo pode reagir de forma diferente a uma picada do mesmo inseto em dias diferentes, dependendo do seu estado imunológico, exposição anterior e outros fatores fisiológicos. Deve-se levar em conta que as crianças pequenas ou os idosos são geralmente os grupos de maior risco. No primeiro caso, devido à falta de especialização do sistema imunológico, enquanto, no segundo, as barreiras defensivas podem estar deterioradas. Compreender as diferenças entre picadas e mordidas de artrópodes é essencial não só do ponto de vista biológico, mas também do ponto de vista da saúde. Estas interações podem ter consequências que vão desde simples desconforto cutâneo até doenças epiteliais graves ou reações anafiláticas fatais. O reconhecimento do tipo de lesão e do organismo envolvido permite uma melhor prevenção, diagnóstico e tratamento dos efeitos associados. É muito importante ter em mente que não se trata de lesões “patognomônicas”, características e sempre iguais. As imagens, infográficos e cartazes que existem associando um tipo de lesão a um tipo de artrópode muitas vezes geram confusão, em muitos casos diagnósticos errados, atrasos na tomada de decisões e resultados negativos. Sim, existem padrões de distribuição de picadas ou mordidas que poderiam ter uma correlação maior com um organismo específico, mas não com o tipo de lesão.