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Efeito de diferentes iscas em forma de gel contra Shelfordella lateralis

Shelfordella lateralis (Walker, 1868) (Blattodea: Blattidae), conhecida anteriormente como Blatta lateralis e coloquialmente como barata-do-turquestão, é uma espécie originária de zonas desérticas e semidesérticas da Ásia Central, Oriente Médio e Noroeste da África.

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Shelfordella lateralis (Walker, 1868) (Blattodea: Blattidae), conhecida anteriormente como Blatta lateralis e coloquialmente como barata-do-turquestão, é uma espécie originária de zonas desérticas e semidesérticas da Ásia Central, Oriente Médio e Noroeste da África (Cochran, 1999; Cillo et al., 2009). Em 1978, foi encontrada pela primeira vez na Califórnia, Estados Unidos. A partir de então, expandiu-se por diferentes países e hoje está presente em outras regiões dos Estados Unidos, como Arizona, Geórgia, Novo México e Texas (Petersen & Cobb, 2009). Também está presente no Japão (Kimura et al., 2003), México (Cueto-Medina et al., 2015), Itália (Cillo et al., 2009), Espanha (Pradera & Carcereny, 2018), Grécia e Turquia (Davranoglou et al., 2020). É uma espécie que se adapta bem tanto a habitats exteriores quanto interiores. Em áreas externas, foi encontrada em jardins, bueiros ou lixões e, em interiores, em todos os tipos de edifícios (Kim & Rust, 2013; Davranoglou et al., 2020). Hoje em dia, com a mobilidade intercontinental existente, a entrada de novas espécies exóticas é constante; a cada ano são detectadas novas espécies que, a longo prazo, podem se adaptar às novas condições ambientais e se tornar espécies exóticas invasoras, gerando graves problemas para o meio ambiente. A presença de baratas em áreas urbanas pode provocar doenças e alergias que comprometem o bem-estar das pessoas, por isso é fundamental saber como combatê-las. De forma que o efeito ocorresse por ingestão, a matriz de cada ingrediente ativo era diferente, visto que se pretendia avaliar a eficácia global do produto. Foram realizadas três repetições para cada produto com um número de ninfas entre 50 e 100. Paralelamente, foram realizados controles negativos para corroborar se a porcentagem de mortalidade obtida era devida à isca. Deixou-se aclimatar durante 72 horas e posteriormente adicionou-se a respectiva isca. Foi realizada uma contagem diária do consumo e da mortalidade durante 7 dias. O consumo foi bom e bastante semelhante. Para o gel contendo imidacloprido, o consumo foi de 1,97 mg/indivíduo durante as primeiras 24 horas. Para a isca contendo cipermetrina, foi de 1,26 mg/indivíduo. O consumo da isca controle, sem ingrediente ativo, foi de 2,01 mg/indivíduo. RESULTADOS E DISCUSSÃO Em primeiro lugar, avaliou-se o consumo dos géis oferecidos às baratas para verificar se os dois ingredientes ativos geravam algum tipo de repelência. O consumo de ambos foi A GAMA MAIS COMPLETA PARA O CONTROLE DE INSETOS Gráfico 1. Média de mortalidade com as diferentes iscas em forma de gel do mercado. Fonte: Mylva S.A. e UCIPM com cipermetrina foi ligeiramente inferior ao restante, mas sem diferenças significativas entre eles, portanto podemos deduzir que em nenhum caso as baratas perceberam o ingrediente ativo e se alimentaram deles assim como fizeram com aquele que não continha inseticida. Quanto às taxas de mortalidade, a isca contendo cipermetrina gerou uma mortalidade média de 95% aos 7 dias, enquanto o imidacloprido gerou 86% de mortalidade também aos 7 dias (Gráfico 1). Ambos os resultados são satisfatórios, mas duas das três repetições do gel com cipermetrina alcançaram mortalidade de 100%, uma delas em 24 horas, considerando-se que o produto contendo cipermetrina foi mais adequado para esta espécie do que o que continha imidacloprido. Em 2019, a UC IPM (University of California Agriculture & Natural Resources) apresentou um estudo realizado com várias iscas em gel disponíveis no mercado. O estudo, conduzido em laboratório, testou a eficácia do indoxacarbe, fipronil, tiametoxam e abamectina como ingredientes ativos. No estudo, observaram que em ninfas foi atingida uma mortalidade de 90% com indoxacarbe e fipronil, 50% com tiametoxam e 10% com abamectina, tudo isso aos 7 dias (Gráfico 1). Deve-se levar em conta que todos os ensaios foram realizados com produtos comerciais acabados, portanto a matriz de cada um é diferente e, consequentemente, não apenas se pode analisar o efeito do ingrediente ativo, mas também tirar conclusões sobre a isca em forma de gel de modo global contra Shelfordella lateralis. A partir daí, podemos dividir os géis testados em três grupos de acordo com a sua eficácia. Um primeiro grupo onde a eficácia foi muito boa, superior a 85%, onde encontramos imidacloprido, cipermetrina, indoxacarbe e fipronil. Um segundo grupo com eficácia média, de 50% aos 7 dias, com tiametoxam. E, por fim, um terceiro grupo, com baixa eficácia para a abamectina. Como conclusão geral, podemos destacar a grande variedade de géis existentes atualmente no mercado que se mostram úteis para tratar problemas com esta espécie. Por outro lado, vale lembrar que uma boa gestão da praga envolve muitas outras medidas preventivas ou estruturais além da aplicação de iscas em gel para solucionar o problema com eficácia. Apenas com um bom manejo integrado de pragas é possível alcançar um resultado ideal. BIBLIOGRAFIA COCHRAN, D. 1999. Cockroaches. Their Biology, Distribution and Control. World Health Organisation, WHOPES, Geneva. 83p. PETERSEN, W. & COBB, K. 2009. First record of the Turkestan cockroach, Blatta lateralis (Walker), in Georgia (USA). Journal of Entomology KIMURA, H., NAGANO, H., AMADA, T. & ARIYOSHI, R. 2003. On the Turkestan cockroach Blatta (Shelfordella) lateralis (Walker), found in Kobe, Japan. Urban Pest Management, 25 (2):97-100. CUETO-MEDINA, S. M., CASTILLO-MARTÍNEZ, A., HERNÁNDEZ-RODRÍGUEZ, S., MÉNDEZ LÓPEZ, R., SÁNCHEZ-RAMOS, F. J. & ORTEGA-MORALES, A.I. 2015. Atlas fotográfico de las cucarachas del semidesierto coahuilense, México, Entomologia Mexicana, 2: 767-775. CILLO, F., FOIS, F., BAZZATO, E. & PIRAS, P. 2009. 484 – Blatta lateralis Walker, 1868 (Blattaria: Blattidae): Prima segnalazione per la Sardegna di specie di origine medio – orientale attualmente introdotta e diffusa in varie regioni del globo. Bollettino della Società entomológica italiana, 141 (2): 113. PRADERA, C. & CARCERENY, A. 2018. Primera cita de dues espècies exòtiques de paneroles (Insecta: Blattodea) per a la península Ibérica: Pycnoscelus surinamensis (Linneaus, 1758) i Blatta lateralis (Walker, 1868). Butlletí de la Institució catalana d’Història Natural, 82: 23-24. DAVRANOGLU, L. R., HADJICONSTANTIS, M., & MANN, D.J. 2020. First record of the Turkestan cockroach (Shelfordella lateralis) from Cyprus and Turkey (Dictyoptera: Blattidae). Israel Journal of Entomology, 50 (1): 1-8. KIM, T. & RUST, M.K. 2013. Life history and biology of the invasive Turkestan cockroach (Dictyoptera: Blattidae). Journal of Economic Entomology, 106 (6): 2428-2432.

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