Alternativas para censar, monitorar e avaliar populações de roedores sinantrópicos
É um erro tentar avaliar o sucesso ou o progresso de uma campanha de controle de roedores com base no número de animais mortos. É imperativo saber como estimar e monitorar as populações de roedores comensais.
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É um erro tentar avaliar o sucesso ou o progresso de uma campanha de controle de roedores com base no número de animais mortos. É imperativo saber como estimar e monitorar as populações de roedores comensais. A única forma de conhecer a densidade de população é realizando uma amostragem adequada. Essa estimativa inicial permitirá dimensionar o
impacto das estratégias de controle, visto que estabelece um número de referência inicial. Existe farta literatura abordando os métodos para a avaliação de uma população de roedores; os mais
MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA POPULAÇÃO DE ROEDORES simples e fáceis de aplicar são os métodos de detecção indireta, e convém utilizá-los quando o problema que se
deseja resolver não é de grande porte ou a área é limitada. Nesses casos podemos aplicar os critérios de Harold Gunderson, em que se estima a população em infestações Baixa, Média e Alta; para isso requer-se também a experiência do operador, que nem sempre é idêntica de um técnico para outro. Os métodos de detecção direta como o consumo de alimentos, o índice de Lincoln, método de Petersen.
PROPOSTA PARA A INSPEÇÃO, MONITORAMENTO E AVALIAÇÃO DO CONTROLE INTEGRADO DE ROEDORES INSPEÇÃO Ao realizar a inspeção inicial, devemos detectar quais são os fatores predisponentes para o estabelecimento de roedores como praga. Uma vez detectados, se o problema de roedores não for grave, podemos iniciar com a localização dos pontos para colocação das caixas porta-iscas. Se houver evidência de que a infestação por roedores é significativa, recomendo o método de Joule e Cameron ou a eliminação dos animais capturados. É um método simples e prático que apenas requer experiência no armadilhamento de roedores e Dia 1º 2º 3º
Nº Animais
seus hábitos. Joule e Cameron sustentam que 80% da população animal é capturada nas primeiras duas noites e 90% em três noites. Particularmente este método tem me proporcionado excelentes resultados, é fácil de aplicar e não exige fórmulas complicadas nem métodos complexos de armadilhamento. Esse método consiste em instalar 100 armadilhas para captura de animais vivos em formato de grade, em 10 fileiras de 10 estações posicionadas a intervalos de 10 metros. Também se podem utilizar armadilhas de impacto (guilhotina) ou captura letal, das quais pessoalmente gosto mais por simplificarem a tarefa de eliminação dos roedores. H 2A, 1J 5A, 1J 1A
ÍNDICES DE INFESTAÇÃO Os índices de infestação por roedores sinantrópicos foram propostos por Larry Perdomo após observações e estabelecimento da capacidade de suporte (K), Nível de Dano Econômico (NDE), limiar de ação (LA) e limiares de tolerância em campanhas de Controle Integrado de Roedores durante períodos de 5 a 10 anos de monitoramento e avaliação. O limiar de ação (LA) pode ser fixado em 10, que corresponde a um índice de infestaç–
ão leve, visto que após esse número de roedores começam a ser observadas fezes dispersas, algumas roeduras e manchas de urina. A partir dos níveis de infestação moderado e conforme as espécies presentes, direciona-se o programa de atuação para:
- Proteção e saneamento das instalações.
- Detecção de tocas e galerias.
- Uso de rodenticidas.
- Reavaliação contínua do programa de atuação.
Extremo
Total
APLICAÇÃO
- Instalação das armadilhas antes do anoitecer.
- Verificação das armadilhas nas 4 horas seguintes ao nascer do sol.
- Os animais capturados vivos ou mortos são eliminados e as armadilhas são reinstaladas com o
propósito de capturar animais de hábitos diurnos. Antes do anoitecer revisam-se as armadilhas e recolhem-se os exemplares apanhados, armando-se novamente as estações. Repete-se a operação ao longo das três noites de captura.
CENSO DO CONSUMO O censo do consumo através das estações porta-iscas é uma técnica de avaliação da população de roedores que pode servir para estimar a quantidade mínima de roedores existentes em uma área determinada. Requer-se o uso de iscas atóxicas inicialmente, mas após avaliar a situação na inspeção inicial podemos instalar iscas rodenticidas adequadas à área a tratar, podendo ser iscas parafinadas, blocos extrusados ou iscas frescas; o fundamental nestes casos é que a isca escolhida seja palatável e atraente para o roedor. No caso de granjas e instalações de produção primária, a isca deve superar a oferta proteica disponibilizada nas rações dos animais. É crucial manter o monitoramento das estações e sua correta localização; Bobby Corrigan, pesquisador da Universidade de Purdue (EUA), recomenda que as caixas porta-iscas sejam instaladas sobre um piso ou lajota de aproximadamente 3 cm de espessura, pois o roedor ao deslocar-se em busca de alimento eleva a cabeça para farejar odores, e com a estação elevada a essa altura a exploração do interior da caixa torna-se muito mais convidativa. Essa estratégia foi implementada com resultados notáveis: em locais onde se aguardava até uma semana para registrar consumo nas estações, constatou-se consumo já no dia seguinte à instalação. A isca depositada nas estações deve ser pesada, disponibilizando-se quantidade superior ao consumo diário individual do roedor (cerca de 30 g). Uma vez monitoradas todas as estações segundo o cronograma, divide-se a quantidade consumida por 30, obtendo-se grosso modo uma estimativa do número mínimo de roedores presentes no início da campanha de controle. Obteremos valores relativos que ao longo do tempo se tornarão absolutos à medida que se avalia o consumo alimentar da dinâmica populacional. Podemos então fixar os índices de infestação conforme a tabela e validar a informação calculando o índice de captura (Faculdade de Veterinária, Havana, Cuba, 2005): Índice de captura = Total de roedores capturados x 100 / Total de armadilhas instaladas. A intensidade será estimada na seguinte escala:
Em Conclusão, ao realizar uma campanha de Controle Integrado de Roedores e dispondo do índice de infestação fixado, da capacidade de suporte (K), do limiar de ação (LA), nível de dano econômico (NDE) e do limiar de tolerância, podemos mensurar e avaliar o êxito da campanha da seguinte maneira:
1. Medir o censo de consumo das caixas porta-iscas: Suponhamos que na medição populacional de uma determinada área pelo método de Joule-Cameron tenhamos classificado o local como Moderadamente Infestado (11 a 50 indivíduos), capturando nas três noites um total de 10 exemplares que representam 90% da população local. Aplicando uma simples regra de três obtemos 100% da população (11 roedores); para a segunda etapa, correspondente ao controle químico nas caixas porta-iscas, deveríamos registrar um consumo mínimo de 120 g pressupondo que o roedor remanescente se alimentou durante 3 dias nas estações e considerando o fluxo de imigrantes.
2. Cálculo do índice de captura: Dando continuidade ao exemplo anterior, se o censo de consumo nas caixas porta-iscas registrar um total de 650 g consumidos, equivalentes a 22 roedores em atividade durante o período de monitoramento com índice de infestação moderada, validamos essa estimativa calculando o índice de captura, que deverá situar-se entre 2% e 5% (intensidade moderada confirmatória do censo). Recomenda-se realizar essa checagem a cada 3 meses para validar os dados do censo de consumo, servindo tanto de garantia de eficácia para a empresa prestadora de serviços quanto de indicador de sucesso da campanha de desratização.
