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Novas estratégias no manejo integrado de Alphitobius diaperinus

A conclusão do ciclo de engorda de um lote de frangos traz consigo a tarefa trabalhosa de gerenciar os resíduos orgânicos avícolas e o controle de pragas como o cascudinho-dos-aviários.

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Manejo integrado de Alphitobius diaperinus

A conclusão do ciclo de engorda de um lote de frangos de corte impõe aos produtores o árduo manejo de destinação dos resíduos orgânicos avícolas e a contenção de organismos indesejados, notadamente o cascudinho-dos-aviários (Alphitobius diaperinus), roedores e moscas. Para a realização do vazio sanitário, é indispensável executar protocolos padronizados de Biosseguridade; uma das metodologias mais consagradas internacionalmente

é a rotina D+L+D+D (Desinsetização, Limpeza, Desinfecção e Desratização), operação trabalhosa e de custo relevante para a avicultura integrada. Alicerçado nessa experiência de campo, compartilhamos alternativas consolidadas no Brasil e na Colômbia para o controle integrado do cascudinho mediante o manejo físico-sanitário da cama de aviário. O procedimento de desinfecção da cama busca precipuamente neutralizar a carga microbiológica patogênica da cama de frango, recorrendo-se à calagem alcalinizante, acidificantes químicos, desinfetantes de contato ou métodos biológicos como a compostagem profunda, com a finalidade de erradicar agentes infecciosos antes

que os resíduos saiam do galpão, blindando o plantel contra contaminações externas. Paralelamente, deparamo-nos com o desafio do cascudinho: ao término do ciclo de engorda das aves, constatamos que cerca de 90% da população ativa de Alphitobius no substrato é constituída por formas larvais; na ausência de intervenções imediatas,

larvas e adultos abandonam o galpão desocupado em busca de calor e alimento, colonizando áreas adjacentes. No Brasil, o método de fermentação anaeróbica em leito plano sob lona plástica apresentou ótimos resultados (Silva et al., 2007), embora demande tempo estendido de repouso e dificulte a aferição da mortalidade. Na Colômbia consagrou-se a técnica de amontoamento profundo ou enleiramento térmico (Resolução ICA 189/2005 e diretrizes FENAVI 2008), que alia fermentação termofílica e compostagem rápida, permitindo que o interior da pilha atinja picos térmicos letais capazes de inativar vírus patogênicos, bactérias entéricas, fungos e ovos de helmintos, proporcionando excelente biorremediação e

controle biológico do cascudinho, roedores e dípteros associados.

SANITIZAÇÃO DA CAMA

O amontoamento profundo consiste na conformação de leiras cônicas no centro do galpão, com aproximadamente 3 metros de diâmetro basal por 1,60 metro de altura no ápice, recobrindo-se a estrutura com lona plástica preta impermeável. Em 72 horas a biomassa atinge temperaturas de até 80 °C no núcleo, destruindo microorganismos patogênicos e gerando um diferencial térmico que atrai besouros adultos para a periferia, retém as larvas na base e afugenta roedores e moscas pela forte exalação de amônia gasosa.

DESCRIÇÃO DO PROCESSO

Após a retirada total das aves, inicia-se o processo eliminando penas e penugens residuais através de lança-chamas a gás (flameamento da superfície).

Na sequência, procede-se ao descompactamento mecânico das placas endurecidas de esterco com o auxílio de rotoencanteirador ou enxadas manuais, homogeneizando os grânulos da cama.

Uma vez triturados os torrões, procede-se ao umedecimento técnico. Considerando que a elevação térmica termofílica depende do teor hídrico adequado, o excesso de umidade prolonga o tempo de secagem posterior e acarreta putrefação com maus odores e atração de moscas. Como a população predominante do besouro reside na fase larval, recomenda-se adicionar um larvicida específico à água de aspersão. Em um galpão padrão de 14,5 m de largura por 115 m de comprimento estruturam-se 4 leiras cônicas, aplicando-se em média 200 litros de calda por pilha para atingir cerca de 40% de umidade. Para balizar o teor de água realiza-se a consagrada “prova do punho”: aperta-se uma porção da cama com a mão fechada — se o material esfarelar ao abrir a mão, falta água; se formar um bolo consistente sem escorrer líquido entre os dedos, alcançou-se o teor ótimo em torno de 40%.

Atingida a umidade ideal, formam-se as pilhas cônicas e procede-se à cobertura imediata com lonas plásticas devidamente fixadas nas bordas. Erguem-se as cortinas laterais e aguardam-se 72 horas de fermentação selada. A temperatura deve ser aferida na base, no centro e na crista da pilha com o uso de termômetro de compostagem com haste longa, exigindo-se média térmica mínima de 55 °C nas primeiras 72 horas para atestar a desinfecção microbiológica.

Espécimes adultos de Alphitobius migram ativamente para a superfície externa aquecida atraídos pela temperatura e pelos vapores amoniacais. Por volta de 24 horas registra-se o pico de aglomeração de besouros sob a borda da lona, momento ideal para executar uma pulverização perimetral de choque com piretroide concentrado emulsionável (EC). As formas larvais confinadas no interior da pilha morrem pela combinação do choque térmico e do inseticida.

As elevadas concentrações gasosas de amônia atuam como repelente natural contra roedores e moscas, aniquilando espécimes enclausurados. A supressão de fontes de alimento no pavilhão facilita expressivamente o posterior controle de roedores nas caixas porta-iscas durante o vazio sanitário. Concluída a fermentação da cama após 72 horas, as pilhas podem ser revolvidas e a lavagem predial das estruturas superiores executada sem prejuízo ao calendário produtivo.

O amontoamento profundo sob lona consolida-se como metodologia sustentável exemplar para a avicultura industrial, promovendo sanidade do plantel, uso racional de agroquímicos e valorização agronômica do esterco avícola como biofertilizante de alto rendimento, sem demandar licenças ambientais extraordinárias, bastando documentá-lo nos POPs de Biosseguridade da granja.

VANTAGENS:

  • Inexistência de impactos negativos no ecossistema circundante.
  • Ausência de geração de chorume ou percolados contaminantes.
  • Eliminação de emanações fétidas de putrefação orgânica.
  • Bloqueio completo à proliferação de vetores biológicos.
  • Otimização dos índices zootécnicos e financeiros do produtor.
  • Obtenção de cama avícola sanitizada de alto valor como fertilizante orgânico e corretivo de solo.
  • Viabilidade de reutilização segura da cama por múltiplos lotes zootécnicos.
  • Aproveitamento seguro em dietas pecuárias de confinamento conforme normas sanitárias vigentes.

O empilhamento profundo para a sanitização das camas é citado conforme a resolução ICA 189 de agosto de 2005 e FENAVI 2008. O método combina compostagem e ensilagem.

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