Arquivo editorial

Expectativa do cliente versus realidade nos serviços de controle de pragas

Alinhar o que o cliente espera e o que a empresa realmente entrega é o primeiro passo para serviços de excelência e crescimento sustentável.

Leitura em voz alta Salvar artigo

Ouça este artigo com a voz do seu dispositivo.

Página de abertura: Expectativa do cliente versus realidade nos serviços de controle de pragas

Você já conseguiu responder com clareza a esta pergunta? Talvez você esteja à frente de sua empresa há muitos anos, mas nunca tenha parado para refletir a fundo sobre essa indagação essencial. O aspecto mais instigante e primordial reside no fato de que as pretensões são extremamente variáveis e dependem da natureza de cada contratante. Sem dúvida, prestar serviços em residências particulares é completamente distinto de atuar em plantas industriais ou repartições governamentais. Cada cliente impõe suas próprias exigências, e nós

temos a obrigação profissional de satisfazê-las com maestria, especialmente se nosso objetivo corporativo for expandir o volume de operações e consolidar a excelência técnica. Anos de atuação no mercado não são sinônimo automático de competência. A cristalização de velhos paradigmas e fórmulas prontas sempre foi a maior inimiga dos serviços de alta qualidade. Há empresas que ainda hoje insistem em metodologias obsoletas e ultrapassadas, ignorando a existência de alternativas modernas com maior eficácia e eficiência — termos parecidos, porém com significados técnicos distintos. Nossos clientes desejam que solucionemos seus problemas de infestação, muitas vezes sem se importar com a forma como isso será feito. Eis aí o nosso grande desafio ético e técnico. Nossas competências precisam estar à altura dessa responsabilidade, e temos o dever de propor e mobilizar todas as alternativas viáveis para

atender às expectativas de quem nos contrata. As pragas biológicas não pertencem a ninguém e afetam a todos, mas no momento em que somos contratados para seu controle, elas passam a ser nossa responsabilidade direta. Ao menos é exatamente essa a percepção do cliente. Na tríade ecológica de exigências para que os organismos sinantrópicos se estabeleçam e proliferem encontram-se a água, o alimento e o abrigo (sítios de refúgio e nidificação). Tanto nós quanto nossos clientes podemos interferir ativamente sobre qualquer um desses pilares a partir de uma abordagem preventiva e proativa. Para tanto, é indispensável educar e orientar continuamente as pessoas que habitam ou trabalham no local infestado. O PROFISSIONALISMO exige COMUNICAÇÃO EFICAZ, pela qual possamos estabelecer com transparência o papel de quem demanda o serviço e a função de quem o executa. Desde o proprietário de uma residência até o gerente de controle de qualidade de uma multinacional de alimentos, todos devem assumir um papel colaborativo nas intervenções ambientais que minimizam o acesso de pragas. Deve restar inequívoco a todo instante que AS EMPRESAS DE CONTROLE NÃO FAZEM MÁGICA, TAMPOUCO DESMATERIALIZAM OS INSETOS. É crucial compreender que entregamos um serviço intangível e não uma mercadoria física de prateleira. Um produto manufaturado pode ser bom ou ruim, belo ou feio, caro ou barato, genérico ou de grife, mas antes de ser adquirido foi previamente escolhido e inspecionado pelo comprador. Nesses casos, a expectativa pela posse do bem físico gera satisfação no momento da entrega. Já um serviço não pode ser avaliado antecipadamente, e seu julgamento como satisfatório ou

insatisfatório dependerá do alinhamento entre a promessa técnica e a entrega real. Nossos clientes

precisam que trabalhemos incessantemente pela sua satisfação e, sem dúvida, devemos pactuar desde o início o escopo do trabalho.

O diagnóstico inicial do ambiente afetado pela presença de pragas deve pautar-se por uma análise

O PROFISSIONALISMO DEVE INCLUIR UMA COMUNICAÇÃO EFICAZ, CAPAZ DE EXPRESSAR COM CLAREZA QUAL É O PAPEL DO CONTRATANTE E QUAL É A FUNÇÃO DO PRESTADOR DO SERVIÇO. É indispensável detalhar com clareza o que oferecemos, o alcance técnico do serviço e os resultados viáveis. Se explicarmos com transparência o que faremos, a metodologia de execução e os desdobramentos operacionais esperados, estaremos muito mais próximos de atender às expectativas dos clientes. Por que enfatizo este aspecto? Porque a omissão inicial ou a prestação de informações distorcidas fará com que o próprio cliente determine mentalmente o padrão de sucesso esperado — projetando uma expectativa irreal de 100% de erradicação imediata. E todos nós sabemos que, em biologia populacional de pragas, o conceito de extermínio absoluto é tecnicamente inexistente. Ao longo de décadas convivendo com gestores, biólogos e operadores de campo, presenciei inúmeros relatos curiosos, alguns brilhantes e outros lamentáveis. Entre estes últimos, guardo na memória a fala desastrosa de um aplicador: 'Nós nunca eliminamos todas as baratas, senão perdemos o contrato'... UM ERRO GRAVÍSSIMO. Esse cliente certamente cancelará o contrato assim que encontrar um concorrente sério. Imaginem por um instante se fôssemos ao dentista e ele restaurasse apenas metade de um dente avariado para nos forçar a retornar na semana seguinte — seria uma verdadeira loucura.

Entre as estratégias de marketing mais duradouras e consistentes encontra-se a recomendação boca a boca espontânea. Se o nosso serviço é indicado com orgulho pelos clientes a novos parceiros comerciais, isso atesta satisfação plena e assegura crescimento perene da empresa. Um programa de controle integrado de pragas bem estruturado dedica cerca de 80% do tempo e dos recursos a medidas preventivas e culturais, reservando os 20% restantes para ações corretivas físicas e intervenções químicas pontuais. De forma análoga à perícia criminalística, o técnico experiente de MIPU deve conduzir uma investigação minuciosa e detalhada

crítica do ambiente físico, avaliando tanto os hábitos operacionais dos colaboradores quanto as condições da edificação. Nesse sentido, é imperativo distinguir os desafios de residências particulares, hotéis, restaurantes e plantas fabris, com ênfase nas indústrias de alimentos. A densidade de pessoas, a engenharia predial, o fluxo de matérias-primas orgânicas, os cronogramas de higienização e o descarte de resíduos variam substancialmente nesses ambientes, determinando graus distintos de vulnerabilidade ecológica. As vistorias demandam maior dedicação temporal quanto

maiores forem os fluxos de processos e o contingente de pessoas envolvidas. Para efeitos práticos, a indústria alimentícia figura como um dos cenários que mais exigem excelência técnica por parte da controladora de pragas — primeiramente pela complexidade sanitária do ambiente fabril e, em segundo lugar, pelo rigor das normas internacionais de certificação (BRC, IFS, FSSC 22000, AIB, etc.) que auditam os processos visando assegurar a inocuidade dos alimentos. Na atualidade, as empresas de controle moderno devem dominar com profundidade a bioecologia dos alvos. Entomologia e biologia são disciplinas elementares para o Responsável Técnico ou Supervisor, e quanto mais capacitados forem os operadores de campo nesses temas, melhor será o desempenho dos serviços. É indispensável compreender o comportamento de vertebrados sinantrópicos ou fauna benéfica, além de dominar conceitos de toxicologia e ecotoxicologia para mensurar e neutralizar riscos a aplicadores, usuários e ao meio ambiente. Os equipamentos de proteção individual (EPIs) devem ser fornecidos integralmente e mantidos em perfeito estado. Da mesma forma, a empresa e seus técnicos devem conhecer TODO o portfólio de ferramentas disponíveis para regular populações biológicas. Há uma ampla diversidade de métodos físicos para modificar ambientes ou rebaixar infestações, incluindo barreiras físicas e dispositivos de vedação estrutural. Os dispositivos de monitoramento e controle mecânico, o manejo térmico e os programas avançados de limpeza física removem a matéria orgânica. O aspecto fascinante

do interesse por laboratórios internacionais, e a legislação vigente em cada país. Este último ponto é imprescindível para exercer nossa atividade sob o marco da estrita legalidade. Deve-se manter informações atualizadas sobre moléculas e formulações liberadas ou restringidas pelos órgãos governamentais em cada esfera. Na América Latina, a disparidade regulatória entre os países é notória, havendo grupos químicos autorizados em determinadas nações e terminantemente proibidos em outras. Em um cenário ideal, esperamos que em breve haja harmonização técnica internacional de padrões e protocolos regulatórios. Por ora, a heterogeneidade das leis exige responsabilidade e ética dos operadores, mormente em regiões onde a fiscalização estatal é deficiente ou ausente. Todo defensivo químico possui potencial toxicológico, assim como os medicamentos farmacêuticos. É obrigação elementar conhecer os ingredientes ativos e formulações aplicadas, sua persistência no meio ambiente, fatores que aceleram sua hidrólise ou fotodegradação e possíveis desdobramentos

DEVEMOS SEMPRE BUSCAR MELHORIAS EM NOSSOS PROCEDIMENTOS E A FORMAÇÃO DE PROFISSIONAIS ESPECIALIZADOS.

tas em carpintaria, alvenaria, elétrica e mecânica. Basta fazer referência a líderes globais de serviços como a RENTOKIL e a visualização de suas ofertas de trabalho, onde buscam continuamente esse perfil técnico especializado. Embora pareça surpreendente, em muitos âmbitos são esses técnicos que alteram a infraestrutura e impedem o acesso e a proliferação de organismos que possam se transformar em pragas.

desta atividade é que, em um mês, este artigo poderá estar desatualizado diante do surgimento contínuo de novas alternativas no mercado. Essa dinâmica é impulsionada mundialmente por cientistas que buscam elevar a eficácia e mitigar riscos toxicológicos. A oferta de defensivos químicos no mercado internacional responde à capacidade das indústrias locais, à dimensão dos negócios e

em organismos não-alvo e no meio ambiente. Um defensivo bem manipulado não representará risco a ninguém, mas é nosso dever compreender a ciência da tecnologia de aplicação. O melhor produto no local errado falhará, e formulações modernas fracassam com bicos gastos ou pulverizadores descalibrados. É mandatório dominar equipamentos de alto, médio, baixo ou ultra baixo volume (UBV), pós e grânulos. Cada formulação exige o equipamento correto em função da porosidade da superfície, do ambiente (aberto ou confinado) e do hábito da praga (voadora ou rasteira). A escolha entre equipamentos manuais ou pesados para veículos dependerá dos recursos de cada empresa. O que precisamos dominar é a combinação perfeita entre formulação + equipamento + praga-alvo. Tentar improvisar sem técnica compromete o serviço: por exemplo, pulverizar apenas adulticidas com bombas costais no controle de mosquitos em bairros periféricos transmite a falsa impressão de que 'ao menos se faz algo', quando o correto seria aplicar larvicidas manualmente ou com bombas de compressão

prévia, atomizadores e nebulização a frio ou termonebulização, sem esquecer o manejo ambiental prévio de eliminação de criadouros e comunicação comunitária. Nos últimos tempos, a pandemia de COVID reposicionou nosso setor na saúde pública, tornando imperativo capacitar-se em desinfecção profissional. Em muitos países, a desinfecção não integrava o escopo do MIPU, mas a realidade impôs essa demanda. Como controlar patógenos requer conhecimento específico, devemos investir em capacitação técnica. Por fim, a gestão e processamento de dados são vitais: nada é relevante se não for documentado. Softwares integrados de gestão de pragas como o IGEO ERP otimizam rotinas, roteirização, estoque e relatórios de monitoramento. Toda empresa deve dispor do sistema que melhor se adapte à sua operação. Devemos planejar o futuro para que os clientes nos reconheçam como parceiros estratégicos que previnem não conformidades em auditorias industriais. Preparando nossa estrutura, entregaremos serviços de excelência em qualquer segmento.

Sempre devemos buscar a implementação de melhorias contínuas em nossos procedimentos e a capacitação técnica de nossos colaboradores. O serviço de MIPU não é uma simples entrega de venenos a domicílio e nossos técnicos não são meros aplicadores empíricos. Se pretendemos resolver infestações apenas borrifando inseticidas, nos igualamos a leigos desprovidos de formação, abrindo espaço para a falsa impressão de que 'qualquer um pode fazer'. O PROFISSIONALISMO manifesta-se na postura ética, no diagnóstico técnico prévio, no domínio das melhores ferramentas e no monitoramento documentado dos resultados. A comunicação clara com o cliente antes, durante e após os serviços é a chave para superar expectativas e construir parcerias duradouras.

Ver todos os artigos