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Pombos e saúde pública

Registram-se diversas enfermidades transmissíveis dos pombos aos seres humanos e animais domésticos, destacando-se as zoonoses de maior impacto epidemiológico.

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Registram-se inúmeros relatos de doenças transmissíveis transmitidas por pombos tanto a seres humanos quanto a animais domésticos. Sob a ótica da saúde pública, as zoonoses de maior gravidade e relevância clínica incluem Clamidiose, Criptococose, Aspergilose, Salmonelose, Listeriose e Estafilococose, as quais podem ser veiculadas pela inalação de aerossóis contendo partículas de fezes ressecadas ou pelo contato direto com dejetos acumulados (Pérez et al., 2015). Investigações epidemiológicas conduzidas em populações de pombo-doméstico (Columba livia domestica) detectaram pelo menos 110 microrganismos potencialmente patogênicos para a espécie humana, compreendendo

41 espécies bacterianas, 55 fungos e 6 protozoários, destacando-se como agentes etiológicos de elevado risco Salmonella enterica sorovar Kiambu, Chlamydophila psittaci, Aspergillus spp., Candida spp., Cryptococcus neoformans, Histoplasma capsulatum e Toxoplasma gondii (Mancera et al., 2013). Em estudo desenvolvido por Pérez e colaboradores (2015), foi descrita a presença de enterobactérias e parasitas de notável importância sanitária em populações ferais de Columba livia em áreas urbanas de Envigado, Colômbia, onde foram diagnosticados patógenos como Escherichia

coli (95%), oocistos compatíveis com Eimeria spp. (55%), Trichomonas spp. (40%), Capillaria spp. (28%), além de ectoparasitas e ácaros associados à plumagem. A disseminação desses agentes biológicos representa sério desafio de vigilância em saúde ambiental, convertendo as colônias em focos de contágio comunitário. Em termos globais, as estratégias de intervenção devem priorizar o afugentamento ético das aves e a supressão de sítios de nidificação, pouso e contaminação estrutural (técnicas de exclusão BirdBarrier®), conjugadas a ações socioeducativas, interrupção do hábito da população de alimentar as aves e adequado manejo de resíduos alimentares no meio urbano (Acero et al., 2019).

O CONTATO COM AS AVES: É UM FATOR DE RISCO?

A exposição ambiental prolongada ou o contato rotineiro com locais infestados por aves, acúmulo de fezes, penas e fragmentos biológicos em ecossistemas urbanos constituem, incontestavelmente, fatores de risco primários para o desenvolvimento de patologias zoonóticas. Na Tabela 1, evidencia-se a vulnerabilidade clínica decorrente da exposição a ambientes densamente povoados por pombos em um universo amostral de 176 casos. O hábito de alimentar as aves influencia de maneira marcante o

equilíbrio fisiológico dos espécimes. Estudo conduzido por Schreiber e colaboradores (2015) demonstrou que aves em bom estado nutricional apresentavam maior taxa de infestação por determinados ectoparasitas em comparação com exemplares subnutridos ou em condições corporais deficitárias; em contrapartida, aves debilitadas sofriam maior incidência de piolhos mastigadores. Cabe destacar que, na investigação citada, uma das duas colônias monitoradas cessou quase totalmente suas atividades reprodutivas durante dois anos após a supressão de sua principal fonte alimentar próxima; não obstante, seus integrantes mantiveram índices corporais superiores aos da colônia dotada de farta disponibilidade de alimentos. Esse fenômeno decorre da ativação de mecanismos biológicos adaptativos que inibem a reprodução em contextos ecológicos adversos com o propósito de preservar a longevidade dos indivíduos adultos. Se essa premissa for correta, o ato voluntário de fornecer alimentos aos pombos nas cidades, frequentemente motivado por empatia, induz efeitos deletérios sobre a sanidade da própria população aviária ao estimular artificialmente a reprodução e

a densidade demográfica em habitats poluídos e degradados como praças públicas. A abordagem técnica e sanitária dessa problemática deve ser conduzida sob as diretrizes integradas do conceito de Saúde Única (One Health) (Chávez de Pop et al., 2020).

CONCLUSÕES

Os pombos urbanos configuram risco concreto à saúde pública, demandando o desenho de programas de controle humanitário e preventivo, focados na conscientização da população, redução de riscos de contaminação ambiental, controle da natalidade, eliminação de fontes artificiais de alimentação (desperdício de grãos e sobras de comida) e impedimento mecânico de repouso e nidificação (princípios de exclusão física mediante redes, telas e aparatos BirdBarrier®).

REFERENCIAS: Acero-Plazas, Víctor Manuel, Rico-Hernández, Guillermo, Cardona-Aristizábal, Laura. (2019). Impacto en salud pública de la paloma Columba livia y métodos de control. Vectors & Pest Magazine, 6: 42-27. Chávez de Pop, VJ, Estol L, Cueva MT, Acero VM. (2020). Zoonosis: Enfoque dentro del concepto de una salud. Revista Ciencias Agropecuarias, 6(1):87-95. Haag-Wackernagel, D., Moch, H. (2004). Health hazards posed by feral pigeons. The Journal of infection, 48(4), 307–313. Mancera, V. M. M., Jiménez, L. C. V., Medina, D. A. B., Soler-Tovar, D. (2013). La paloma (Columba livia) en la transmisión de enfermedades de importancia en salud pública. Revista Ciencia Animal, 6, 177-194. Pérez, J., Monsalve, D., Márquez, C. (2015). Presencia de parásitos y enterobacterias en palomas ferales (Columba livia) en áreas urbanas en Envigado, Colombia. Revista Facultad Nacional de Salud Pública, 33(3):370-376. Schreiber, T., Kamphausen, L., Haag-Wackernagel, D. (2015). Umwelteinflüsse und Gesundheitszustand bei Strassentauben (Columba livia) [Effects of the environment on health of feral pigeons (Columba livia)]. Berliner und Munchener tierarztliche Wochenschrift, 128(1-2), 46–60.

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