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O melhor amigo do homem também pode ter problemas com pragas

Todo tutor responsável de um cão sabe o quanto é importante proporcionar ao seu animal exercícios regulares, alimentação balanceada e muito afeto.

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Todo tutor responsável de um cão tem ciência da relevância de proporcionar ao seu companheiro rotinas diárias de exercícios físicos, nutrição balanceada e abundante afeto familiar. Todavia, vigora igualmente o dever ético de resguardá-lo contra ameaças graves à sanidade canina, a exemplo dos riscos decorrentes da infestação por ectoparasitas hematófagos. Carrapatos, pulgas e até mosquitos vetores acarretam patologias severas aos animais domésticos, podendo desencadear infestações secundárias generalizadas

no ambiente doméstico e convertendo-se em sério agravo à saúde humana. O clima estival favorece o convívio em quintais e parques, aumentando a vulnerabilidade de pets e humanos perante essas pragas espoliadoras de sangue. O manejo técnico criterioso desses artrópodes proporcionará segurança e tranquilidade no aproveitamento de áreas verdes. Examinaremos a seguir as características bioecológicas basilares de carrapatos e pulgas para fundamentar intervenções eficazes.

Carrapatos

O primeiro fundamento biológico que devemos ter em mente é que os carrapatos não são insetos: constituem ácaros ectoparasitas pertencentes à classe Arachnida, dotados de hábito hematófago estrito em todas as suas fases ativas e atuando como vetores de patógenos causadores de enfermidades letais como febre maculosa (Rickettsia), doença de Lyme (Borrelia), erliquiose canina, babesiose e anaplasmose. Determinados sintomas surgem precocemente após a fixação do carrapato, ao passo que outras moléstias infecciosas

evoluem silenciosamente, manifestando-se clinicamente quando o cão já se encontra em iminente colapso hemodinâmico. Animais com acesso livre a pastagens, gramados altos e bosques periurbanos apresentam maior suscetibilidade de contato com carrapatos; ademais, animais errantes ou visitantes podem carregar os parasitas para o interior do domicílio, onde também picarão os moradores humanos.

cuidado indispensável de remover o carrapato integralmente (capítulo e peças bucais inseridas na derme), evitando fragmentos retidos que causem granulomas ou infecções bacterianas. Para tanto, deve-se tracionar o parasita com movimento retilíneo lento e constante, sem torções bruscas. O ideal é empregar pinças anatômicas apropriadas, apreendendo o ácaro rente à pele na base do aparelho bucal.

Pulgas

As pulgas configuram outro ectoparasita extremamente comum que infesta animais de companhia, sobretudo cães e gatos. Suas picadas repetidas deflagram prurido desesperador, pápulas eritematosas e inquietação crônica. Podem ocasionar quadros severos de anemia espoliativa, dermatite alérgica por picada de ectoparasitas (DAPE), transmissão de helmintos intestinais como o Dipylidium caninum, além de alopecia por atrito e infecções bacterianas estafilocócicas na pele lesionada. As pulgas são insetos holometábolos (com fases de larva e pupa no ambiente) e apenas os espécimes adultos alimentam-se de sangue de mamíferos e aves. Os adultos exibem notável habilidade propulsora por meio de saltos vigorosos, abrigando-se facilmente em estofados, tapetes, frestas de assoalhos e mantas. As fêmeas adultas realizam posturas contínuas sobre o pelame do hospedeiro; contudo, os ovos, secos e não aderentes, desprendem-se e precipitam-se sobre pisos, camas de animais e carpetes. Por seu diminuto tamanho e extraordinária capacidade de ocultação, as pulgas mostram-se difíceis de rastrear a olho nu. Destacam-se pela prodigiosa fecundidade: uma fêmea

adulta pode ovipositar até 20 ovos por dia, com eclosão larval em uma janela térmica de 2 a 14 dias; por conseguinte, uma infestação pontual expande-se exponencialmente em poucas semanas. Infestações massivas exigem programas articulados e persistentes para a erradicação completa. Cumpre jamais esquecer que pulgas também parasitam roedores comensais, atuando historicamente como transmissoras da peste bubônica (Yersinia pestis) e do tifo murino.

mudanças comportamentais no animal — como prostração, inapetência gástrica ou apatia motora —, encaminhe-o incontinenti ao médico veterinário. Tais sinais clínicos podem sinalizar hemoparasitoses graves inoculadas durante a hematofagia dessas pragas.

Sete diretrizes cruciais para proteger animais de estimação e humanos contra pulgas e carrapatos:

3. Higienize com frequência rigorosa as caminhas, almofadas e mantas onde os cães dormem, assim como brinquedos e recipientes. O emprego de aspirador mecânico profissional de alta sucção é excelente para recolher mecanicamente larvas, pupas e ovos dispersos nas fibras. Eleja a aspiração sanitária como pilar indispensável do manejo.

1. Inspecione rotineiramente as áreas frequentadas pelo animal e seu próprio corpo. Examine minuciosamente entre os dedos, orelhas, virilhas e pescoço caso o pet tenha circulado por matagais ou gramados altos, nichos preferenciais de carrapatos. Observe irritações cutâneas, pápulas ou escoriações por coceira. O ato contínuo de morder a própria pelagem constitui alerta precoce de infestação. Caso visualize

2. Na primavera e no verão, pulgas e carrapatos exibem seus picos reprodutivos, haja vista que sua cinética biológica responde diretamente à elevação das temperaturas e umidade relativa, acelerando o ciclo geracional.

4. Mantenha os gramados e vegetações do quintal devidamente podados e roçados, impedindo a formação de microclimas úmidos e sombreados favoráveis a carrapatos. 5. Ao identificar carrapatos fixados no cão, providencie sua remoção imediata, adotando o

6. Parte do controle assenta-se na higiene periódica do cão com produtos carrapaticidas e pulguicidas prescritos, coleiras repelentes impregnadas ou formulações tópicas 'spot-on' (pipetas de absorção cutânea). Determinados princípios ativos conferem proteção residual prolongada e eliminam larvas presentes nos pelos que se desprendem no ambiente de convivência. 7. O tratamento no animal permanece inócuo se não for acompanhado pela desinfestação ambiental das áreas frequentadas pelo pet, visando suprimir ovos, larvas e pupas. A pulverização técnica de inseticidas domissanitários registrados com excelente performance larvicida e adulticida consubstancia a chave do manejo integrado. Realize aplicações pontuais associando adulticidas a reguladores de crescimento (IGRs) nos ambientes internos e estabeleça barreiras químicas perimetrais em formulação de suspensão concentrada (SC) no entorno predial.

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