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Situação das empresas de MIP no contexto da pandemia

No início do ano, o SARS-CoV-2 fez sua entrada na Argentina e, apesar dos antecedentes da Europa e dos EUA, as medidas provocaram um forte impacto na economia.

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Página de abertura: Situação das empresas de MIP no contexto da pandemia

No início do ano, o SARS-CoV-2 fez sua entrada na Argentina; a despeito dos antecedentes alarmantes que chegavam da Europa e dos Estados Unidos, as medidas sanitárias emergenciais adotadas desferiram um golpe contundente sobre o conjunto da economia. Analisaremos a seguir os desdobramentos específicos sobre o setor de Manejo Integrado de Pragas (MIP). No ano imediatamente anterior ao surto pandêmico, o segmento já não vivia seus melhores momentos, com o nível de atividade comprimido pela recessão; na Cidade Autônoma de Buenos Aires (um dos principais polos econômicos nacionais), as operadoras de controle de pragas haviam sofrido revés considerável com a desregulamentação dos registros cadastrais de empresas e de Responsáveis Técnicos, bem como a revogação de normativas ligadas à higienização de reservatórios de água. Em março de 2020, o Decreto de Necessidade e Urgência (DNU 297/2020 de 20/03/2020) decretou o 'Isolamento

Social, Preventivo e Obrigatório', instaurando a quarentena geral e restringindo a circulação apenas às atividades expressamente declaradas como essenciais. Nosso setor não constava inicialmente desse rol protetivo, deflagrando um período de incerteza generalizada: com a grande maioria dos clientes corporativos paralisada e aqueles ainda operando impedidos de contratar serviços de controle de pragas, o mercado estagnou por completo. Essa paralisia atingiu inclusive as intervenções de controle de mosquitos transmissores do Dengue, cujos alertas foram ofuscados pela priorização midiática e governamental da COVID-19. A câmara setorial UCABA (Câmara de Empresas de MIP, Desinfecção e Limpeza e Desinfecção de Caixas de Água Potável) articulou-se com celeridade perante as instâncias regulatórias nacionais, provinciais e da Região Metropolitana de Buenos Aires (AMBA). A reivindicação surtiu efeito no início de abril (Decisão Administrativa 450/2020 e DNU 576/2020), quando o Poder Executivo ampliou a listagem de serviços essenciais, incorporando formalmente as atividades de manutenção e fumigação. Essa qualificação legal constituiu marco indispensável para a consolidação institucional do nosso segmento como Agentes de Saúde Pública, copromotores da proteção à saúde coletiva, à integridade dos alimentos e à segurança patrimonial, tanto perante o Estado quanto perante a sociedade civil. Paralelamente a esse reconhecimento, ressurgiu com extraordinária força o segmento de desinfecções ambientais, que durante décadas ocupou posição marginal nas rotinas operacionais das empresas de MIP. É indiscutível que os profissionais de controle de pragas detêm qualificação técnica consagrada no manuseio de formulações de uso restrito — categoria na qual se enquadram os desinfetantes profissionais —, dominam a operação de equipamentos de termonebulização e UBV, utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs completos: óculos de vedação, respiradores, luvas de nitrila e macacões impermeáveis) e dominam

protocolos operacionais padronizados e exigências rigorosas de biossegurança preconizadas pelas agências reguladoras nacionais e internacionais.

EFEITOS NEGATIVOS NA PANDEMIA

O fechamento compulsório de centros comerciais, fábricas e edificações em virtude do confinamento provocou retração drástica na carteira corporativa de serviços. O segmento residencial sofreu igualmente queda brutal na demanda, abrangendo tanto condomínios verticais quanto residências unifamiliares. Registrou-se expressiva desaceleração comercial na cadeia produtiva (fabricantes, laboratórios e canais de distribuição), somada a gargalos operacionais no transporte e na logística de entregas. As equipes de vendas viram-se compelidas ao teletrabalho doméstico repentino, sem vivência prévia nessa rotina. Além da perda acentuada de faturamento, serviços essenciais remanescentes (agroindústrias alimentícias, plantas farmacêuticas) sofreram desaceleração. Interrompeu-se a cadeia de liquidez financeira, coexistindo com a inflação de custos operacionais puxada pela valorização de matérias-primas e custos extras associados a EPIs e protocolos de higienização de equipes. O crescimento das desinfecções ambientais não bastou para equalizar a perda consolidada de contratos tradicionais de MIP no setor médio, a despeito do avanço epidêmico simultâneo do Dengue. Verificou-se aquecimento pontual nas vendas de maquinários de aplicação, beneficiando temporariamente revendedores, mas a receita auferida com a venda de sanitizantes situou-se muito aquém do faturamento histórico proporcionado pelas linhas inseticidas.

EFEITOS POSITIVOS NA PANDEMIA

Sob a minha perspectiva, cumpre enaltecer a formalização do setor como prestador de Serviços Essenciais e o fortalecimento de sua credibilidade profissional perante a comunidade. Despontou paralelamente uma oportunidade comercial expressiva: o nicho da desinfecção profissional, segmento com o qual guardamos afinidade operacional evidente, mas que exige o mesmo rigor e seriedade técnica dedicados historicamente ao Manejo Integrado de Pragas. Configura uma oportunidade única e indeclinável, alavancando um mercado maduro calcado em moléculas modernas, insumos homologados e maquinários inovadores. Devemos adequar nossas estruturas com rapidez a essa nova configuração.

setor congregado operando de forma articulada para colher avanços estruturantes em sua dinâmica profissional. É imprescindível compreender que essa coesão institucional deve alicerçar-se na filiação ativa às entidades representativas, estimulando a cooperação entre câmaras empresariais. Essa convergência interna é igualmente vital no enfrentamento de vetores biológicos (como o mosquito do Dengue) e nas ações de desinfecção técnica; esforços dispersos ou negociações isoladas mostram-se inócuos perante o poder público, impondo-se uma governança setorial estruturada.

PERSPECTIVAS / PÓS-PANDEMIA: A crise sanitária acelerou tendências estruturantes que já se delineavam de forma embrionária nas práticas corporativas: a transformação digital do teletrabalho (home office parcial ou integral), das aquisições de insumos, da prospecção de vendas, do atendimento ao cliente, da logística e dos sistemas de comunicação institucional, abrangendo fornecedores, distribuidores e operadoras de MIP. A incorporação ágil de ferramentas virtuais tornou a interação técnica e a customização de propostas comerciais consideravelmente mais eficientes. Essa dinâmica estendeu-se ao campo da qualificação continuada: webinars, conferências digitais e simpósios técnicos on-line democratizaram o acesso a conteúdos especializados de alto padrão. Outro dividendo histórico inestimável residiu no fortalecimento da cultura associativa setorial. O segmento de controle de pragas figura entre os raros nichos de mercado com expansão futura assegurada, impulsionada pela sinergia entre Desinfecção Ambiental e Manejo Integrado de Pragas. Essa transição demandará ajustes organizacionais profundos para elevar os índices de produtividade e competitividade. Será necessário desenvolver portfólios inéditos de serviços e treinar os colaboradores em habilidades técnicas complementares, incutindo cultura de rigor sanitário, monitoramento e digitalização de processos. As empresas precisarão flexibilizar modelos corporativos com esquemas híbridos e canais digitais de contratação. A especialização técnica tornar-se-á pré-requisito mandatório, haja vista o surgimento de tecnologias limpas de sanitização, novas diretrizes regulatórias e procedimentos operacionais padronizados (POPs) mais exigentes. Como coletividade profissional, cumpre-nos zelar pela blindagem jurídica e pelo prestígio dessas prerrogativas, participando ativamente dos marcos regulatórios. Embora o ensino a distância ganhe espaço crescente, os encontros presenciais (feiras, congressos e jornadas técnicas) manterão seu protagonismo nas agendas setoriais com elevado critério de valor. A opinião pública consolidou extrema aversão a contaminações e contatos inseguros; por conseguinte, a preferência por produtos de baixo impacto toxicológico, formulações ecológicas, aplicações microfocalizadas, iscas atrativas e, sobretudo, intervenções de exclusão mecânica e física continuará em ascensão. Em levantamentos de mercado, clientes manifestaram receio de contaminação por técnicos de campo; desse modo, soluções que reduzam o tempo presencial de intervenção serão altamente valorizadas. Esse cenário impulsionará a difusão de dispositivos IoT de monitoramento remoto de pragas dotados de telemetria em tempo real, geração automatizada de relatórios estatísticos e mapeamentos de capturas, além de softwares gerenciais e sensores digitais. Paralelamente, fatores macroestruturais anteriores — como as mudanças climáticas globais potencializando as Doenças Transmitidas por Vetores (DTVs) e a expansão urbana contínua na América Latina — continuarão a balizar o crescimento da demanda. Observou-se igualmente a consolidação de um ambiente corporativo mais ético, colaborativo e solidário entre as empresas do setor, valorizando o respeito recíproco e a lealdade na concorrência, traços característicos do profissionalismo amadurecido. Todas essas transformações acham-se em pleno curso; o saldo final será tão compensador quanto for nossa aptidão de inovar com velocidade e segurança. O profissionalismo rigoroso, a união associativa e a postura cooperativa constituem as armas definitivas para transformar essa adversidade em liderança consolidada.

O diagnóstico aqui traçado retrata fidedignamente o panorama verificado na Argentina. Pode-se afirmar que o contexto desenhou-se de forma muito similar na maioria das nações latino-americanas, com pequenas variações conjunturais. Talvez o México tenha registrado as maiores barreiras securitárias para a entrada irrestrita das empresas de MIP no segmento de desinfecções, em função dos custos vultosos das apólices de responsabilidade civil (desafio igualmente presente nos EUA). Em outros países, empresas convencionais de limpeza comercial anteciparam-se na exploração desse mercado. Seria extremamente enriquecedor que gestores e consultores técnicos de outras nações relatassem suas experiências particulares. Da mesma forma, a união coordenada de todos nós — em escala nacional e no plano continental — multiplicará a relevância da nossa profissão.

Em março de 2020, o decreto de necessidade e urgência DNU 297/2020, de 20-03-2020, estabeleceu o Isolamento Social, Preventivo e Obrigatório.

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