São os geckos e lagartixas verdadeiras pragas?
O gecko ou lagartixa de parede é a denominação popular atribuída a diversas espécies de pequenos répteis pertencentes à família Gekkonidae.
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O 'gecko', 'lagartixa' ou 'osga de parede' é a denominação popular atribuída a diversas espécies de pequenos répteis pertencentes à família Gekkonidae, amplamente distribuídos em regiões tropicais, subtropicais e temperadas de todo o planeta. Uma das espécies mais comuns no ambiente urbano das Américas é a Hemidactylus mabouia, uma lagartixa originária da África subsaariana introduzida acidentalmente durante o período colonial que se adaptou com extraordinário sucesso às habitações humanas. Possuem patas dotadas de lamelas adesivas microscópicas (setas) que lhes conferem a espantosa capacidade de caminhar com agilidade por paredes verticais lisas, tetos e vidraças. Diante de sua constante presença no interior de residências, escritórios e galpões industriais, muitos proprietários questionam com frequência se as lagartixas devem ser classificadas como verdadeiras pragas urbanas e combatidas pelas empresas de controle. Do ponto de vista puramente biológico e ecológico, as lagartixas são animais extremamente benéficos ao equilíbrio dos ambientes antropizados. São predadores vorazes e generalistas que se alimentam ativamente de uma grande diversidade de insetos incômodos e perigosos para a saúde humana, tais como baratas, pernilongos e mosquitos (inclusive vetores de arboviroses como Aedes e Culex), moscas, mariposas, aranhas e pequenos cupins alados. Elas não picam, não atacam pessoas nem animais domésticos, não transmitem doenças diretamente e são totalmente desprovidas de veneno. Contudo, em determinadas circunstâncias industriais ou corporativas específicas — especialmente em indústrias farmacêuticas, alimentícias e hospitais sujeitos a rígidas auditorias sanitárias —, sua presença pode não ser tolerada devido à deposição de fezes esbranquiçadas em paredes, pisos e equipamentos, além do risco potencial de penetração em painéis elétricos sensíveis provocando curtos-circuitos. Para os operadores profissionais de controle de pragas, é fundamental orientar os clientes com clareza: a erradicação química de lagartixas não é recomendada nem respaldada pela legislação ambiental na maioria dos países, visto que são animais silvestres protegidos e insetívoros valiosos. A melhor estratégia para desestimular sua concentração no interior dos imóveis consiste no controle rigoroso da população de insetos que lhes servem de presa e na vedação física de frestas e aberturas em portas e janelas.
Os geckos que costumam entrar nas residências são pequenos, com cerca de 10–15 cm, têm hábitos noturnos e alimentam-se de insetos ou pequenos artrópodes. Na pesquisa citada, Salmonella foi registrada em 4,3% dos casos avaliados nas amostras de excrementos de geckos examinadas, abrangendo mais de 100 espécies.
